segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Jovem e a Religião – parte final

 – Filhos que amam os pais   Que extraordinária é a vida! Que grande benção foi termos nascidos neste mundo! O homem verdadeiro não é corpo carnal e sim espírito. Nascer na Terra, é um grande privilégio e oportunidade singular do nosso espírito crescer e se desenvolver.
   Quando passamos a estudar os ensinamentos da Seicho-No-Ie compreendemos que a vida verdadeira não surge quando aqui nascemos, nem desaparece quando este corpo carnal morre. O corpo carnal é como uma vestimenta que o espírito imortal (vida verdadeira) utiliza quando na Terra se manifesta. Isto é semelhante a roupa de astronauta que o homem utiliza quando sai da atmosfera terrestre.
   Aprendemos também que este homem verdadeiro já é perfeito desde o início, não sendo necessário acrescentar absolutamente nada. Porém, por ainda não dominar plenamente esta consciência máxima, necessitamos experienciar o “nascer” e o “morrer” inúmeras vezes, quando vamos aos poucos nos libertando da ideia do ser material, alcançando o despertar da nossa natureza divina.
   Não nascemos aqui apenas porque queremos, mas também por uma necessidade do completar de um ciclo da vida. Quanto maior o despertar da consciência espiritual, mais fácil se torna este processo. Porém, quanto menor o grau desta consciência, mais penoso se torna o caminho a ser seguido. No entanto, todos, sem exceção, estamos no caminho do evoluir infinito.
   Não fosse pelos nossos pais, não teríamos nascidos e, por consequência, ainda estaríamos esperando uma oportunidade de matricularmo-nos na Grande Universidade chamada Terra. Esta oportunidade pode ser agarrada consciente ou inconscientemente, mas sempre através do princípio da lei de causa e efeito, ou seja, os semelhantes se atraem.
   Se o espírito da pessoa for pouco esclarecido, neste caso há uma espécie de “interferência” de espíritos mais evoluídos, normalmente antepassados da pessoa, que faz com que o seu nascimento na Terra se dê em uma família condizente com a sua necessidade de aprendizagem (da pessoa e também da própria família escolhida). Desta forma, podemos concluir que não há outro jeito de sermos realmente felizes e bem sucedidos nesta vida, a não ser através da convivência regrada pelo amor e gratidão à família a que hoje pertencemos.
   Todas as pessoas, sem dúvida alguma, amam seus pais. Até mesmo aquela mais revoltada e rebelde. A maior prova disso pode ser obtida observando o comportamento das crianças. A criança pequena não enxerga defeitos em seus pais, pois ela os vê sob a ótica da Imagem Verdadeira. Não vemos criança reclamando dos pais, ou exigindo ser amada, isso porque ela ainda não aprendeu a “comparar”. Então, ela simplesmente ama seus pais.
   Quando afirmo que “ela ainda não aprendeu a comparar”, quero dizer que boa parte dos nossos sofrimentos começa quando fazemos comparação. Quando comparamos nossos pais a outros pais, ou quando comparamos o que recebemos deles com o que nossos irmãos também receberam. Ou ainda comparamos nossa família à outra família, criamos a partir daí, inúmeros questionamentos que só fazem aumentar nossa angústia e descontentamento com relação à vida.
   Se, ao invés de comparar e reclamar, agradecêssemos pelo fato de termos nascido, ainda que depois fôssemos entregues à adoção, não haveria porque duvidar do amor de nossos pais. Cada qual dá o máximo que lhe é possível. Se não dá mais é porque não sabem como fazê-lo.
   Quando converso com um filho que tem algum problema com seus pais, seja mágoa, tristeza, rancor ou mesmo ódio (desde pré-adolescente até um idoso), invariavelmente no decorrer da conversa peço para que, dentro daquilo que se é possível, se coloque no lugar deles em toda experiência que possivelmente viveram e questiono se o filho conseguiria fazer diferente ou melhor do que fizeram seus pais; chega a ser emocionante a resposta que dão. Normalmente entre lágrima dizem que NÃO!
   Certa ocasião li um livro em que o autor dizia mais ou menos o seguinte: “Talvez o que marque a idade adulta seja quando a pessoa tem coragem de olhar para seus pais e dizer: eu lhes aceito do jeito que vocês são”. É muito provável que seus pais não sejam como você gostaria que eles fossem, mas não duvidem que eles são  exatamente como você precisava que eles fossem.
   Em setembro deste ano tive a oportunidade de orientar o Seminário da Luz na Regional PR-CURITIBA ao lado do professor Sinji Takahashi. Na ocasião, relatei que depois que me reconciliei com meu pai e nos tornamos amigos e confidentes quis saber dele por que ele bebia tanto. Ao que ele me respondeu, explicando sua profunda tristeza e decepção, que era porque não conseguia dar a nós, seus filhos, tudo aquilo que gostaria e que havia prometido a si mesmo ao decidir que seria diferente do pai dele quando ele também fosse pai. Expliquei-lhes que naquela ocasião meu despertar foi de que meu pai bebia porque nos amava muito e, então, minha mágoa e dor se transformaram em gratidão.
Pois bem, quando do término do Seminário, despedíamos dos participantes na saída do auditório, uma senhora de 71 anos me abraçou chorando e afirmou que naquele dia ela havia perdoado o pai dela que também bebia e havia morrido ainda moço. Contou-me que ela não conseguia entender por que seu pai bebia tanto, mas que ao ouvir minha história, havia compreendido o sentimento do seu pai e que agora estava feliz e aliviada.
   Nesta minha caminhada no viver Seicho-No-Ie, aprendi algo libertador e que gostaria de dividir com os amigos leitores da Mundo Ideal. Na verdade é bem simples: “Quando eu mudo, tudo ao meu redor muda também”. Ao tomar conhecimento desta lei, me esforcei sinceramente em usá-la a meu favor.     Praticando a meditação Shinsokan, fazendo reflexões e orações para perdoar, estudando com seriedade o ensinamento, fui aos poucos mudando meus conceitos e um novo mundo se descortinou em minha vida.
   Ao aprender a amar aos meus pais como eles eram, minha relação com eles mudou por completo. Assim como as minhas atitudes e naturalmente a deles também. Graças a isso tive a oportunidade de ter como meu melhor amigo, meu pai, a quem por boa parte da minha convivência com ele só tivemos desentendimento, e isso antes que ele retornasse ao mundo espiritual.
   Hoje, minha relação com minha mãe é simplesmente fantástica. Ela é minha amiga. A flor da minha vida. Esforço-me em viver de tal forma que tanto, ela quanto meu pai, sintam-se felizes com o filho primogênito deles. Por consequência, naturalmente levo uma vida alegre, feliz e cheia de realizações. Reconheço que se tenho uma vida familiar bem estruturada ao lado da minha esposa e filhos, devo isso à base que recebi de meus pais.

O Jovem e a Religião – parte 4

   Acompanhando os noticiários em geral, seja pela TV, jornais, revistas ou sites,  sempre que se fala sobre o comportamento de jovens, na maioria das vezes só se mostra o lado negativo. Podemos citar vários exemplos, como duas reportagens sobre as drogas que no último final de semana de agosto de 2010 duas grandes emissoras de TV levaram ao ar quase que simultaneamente. Uma tratava sobre a “epidemia do craque” que vem destruindo a vida de adultos, jovens, adolescentes e crianças, e a outra sobre o uso de cocaína por jovens e adolescentes numa cidade do interior de São Paulo.
   De fato, este assunto é gravíssimo e penso que todas as pessoas de bem devem debater exaustivamente e agir com determinação no sentido de resolver o problema em sua raiz, que em minha opinião passa pelo resgate de alguns valores morais e cívicos que em minha época de criança se aprendia em casa, com os pais. Mais uma vez insisto que a solução deste tipo de problema, assim como vários outros que envolvem a juventude brasileira deve vir como resultado de uma profunda reflexão que a sociedade em geral deve se submeter.
   FAMÍLIA, aqui está a base para a solução destes desafios do século XXI. Uma família estruturada, com princípios morais e cívicos ensinadas pelo exemplo dos pais, uma base espiritual sólida pautada na tolerância e respeito ao direito e liberdade de expressão religiosa podem ser um bom começo.
   Acredito que este tipo de lar está prosperando e ampliando cada vez mais. No entanto, como a maioria das reportagens envolvendo os jovens dá conta de uma realidade bem contrária, há pelo menos dois tipos de notícias que enfoca o lado negativo e outra que fala do lado positivo.
   Quando o primeiro tipo de notícia prevalece, nasce no ceio da sociedade, ainda que inconscientemente, a sensação de que tudo parece estar perdido, que as coisas andam de ponta cabeça e que se aproxima o caos total. Com esta sensação pavorosa as pessoas vão se isolando cada vez mais dentro de si mesmas e, como consequência, vão aparecendo os sintomas das doenças modernas como depressão, angústia, síndrome do pânico etc.
   Portanto, é mais que necessário saber diferenciar claramente as coisas do mundo fenomênico das coisas reais, que existem de fato, o Mundo da Imagem Verdadeira. Com isso, não estou dizendo que não existem problemas como os citados acima, o que estou afirmando é que existe também o outro lado da moeda.
   Basta olharmos com mais atenção ao nosso redor e perceberemos um movimento extraordinário acontecendo através de milhares de pessoas, em sua maioria, voluntários que atuam através de entidades religiosas, filantrópicas, sociais, ONGs etc. levando amor, carinho, atenção e apoio material àqueles que carecem deste tipo de afetividade.
   São incontáveis os casos de recuperação de jovens que eram dependentes químicos, que eram ligados ao crime organizado, que estavam entregues a promiscuidade. Então, por que os canais de informações transmitem muito mais as informações negativas? Por que não dão o mesmo tratamento ou dispensam a mesma quantidade de horas com este tipo de reportagem citado por último?
   A resposta é simples. Porque a maioria das pessoas desconhece o poder que as palavras possuem e são mais seduzidas por matérias negativas do que por matérias positivas. Em outras palavras, a notícias negativas dão mais audiência. Daí a importância de divulgarmos mais o pensamento iluminador da Seicho-No-Ie.
   Em seu livro O Princípio do Relógio de Sol o prof. Masanobu Taniguchi diz algo muito interessante sobre este assunto:
   “Onde há carência de notícias e informações sobre o lado bom do ser humano e da vida, não é possível proporcionar esperança e alegria à geração futura. A base da educação está no amor, na confiança e na alegria, mas, se o ambiente em que vivem as crianças está envolto por ódio, suspeitas e trevas, reformas educacionais tornam-se sonhos impraticáveis. Estas devem ser iniciadas pela geração dos pais, pessoas mais próximas das crianças, reconhecendo e louvando aquilo que é verdadeiro, o bem, o belo. É impossível a criança sentir alegria se os pais não conseguem encontrar alegria na vida.”
Vale a pena ler o livro O Princípio do Relógio de Sol na íntegra, já sobre o assunto envolvendo as drogas recomendo-lhes estudarem o livro A Verdade da Vida, vol. 16, diálogos sobre a Vida (II) do mestre Masaharu Taniguchi, nele há um capitulo inteiro falando sobre bebida – fumo – libertinagem.
   Muitas vezes sou indagado por juvenis, jovens e adultos de como devem agir, ou qual deve ser a postura mental diante dos problemas que enfrentam no dia a dia. A resposta é sempre bem simples: praticar a meditação Shinsokan. Neste caso, na maioria das vezes sinto que esta reposta provoca certa decepção e alguns chegam a questionar “Só isso?”. A causa desta reação está muitas vezes relacionada com o pouco conhecimento que a pessoa tem acerca do que vem a ser a real prática da Meditação Shinsokan.
   As três práticas fundamentais dos que praticam a Seicho-No-Ie são: Meditação Shinsokan, Leitura de Sutras Sagradas e Livros Sagrados e a prática da caridade, ou de amor ao próximo. A primeira delas é justamente a Meditação Shinsokan, isto porque é através dela que alcançamos a real consciência de que estamos unidos a Deus.
   Através desta prática somos capazes de sentir a nossa vida individual ligada diretamente a Vida Universal – Deus. Quando praticamos a Meditação Shinsokan somos conduzidos inevitavelmente a uma emoção de caráter mais profundo, numa emoção quase que incontrolável de união com Deus. Emoção esta que vem decorrente da alegria de não só entendermos, mas de sentirmos realmente que sempre estivemos, que estamos e que sempre estaremos ligados ao Pai.
   Penso que é exatamente esta emoção que Jesus Cristo nos transmite quando afirma: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mateus, 11: 27), ou “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João, 6: 38).
   Eu, particularmente, desde que aprendi e comecei a praticar a Meditação Shinsokan venho experimentando inúmeras bênçãos em minha vida, muitas delas já compartilhadas aqui neste BLOG. Mas, sem dúvida alguma, acredito que a maior emoção foi descobrir e sentir do fundo do coração que Deus é meu Pai e meu melhor Amigo. Desde então, nunca mais me senti só ou desamparado e qualquer que sejam os problemas que surjam tenho sempre ânimo para resolvê-los.
   O mestre Masaharu Taniguchi em seu livro Explicações Detalhadas sobre a Meditação Shinsokan nos ensina a importância, a postura corporal e mental correta para a prática, esclarece inúmeras dúvidas e apresenta variações da Meditação Shinsokan básica.
   Dentre estas variações existe a Meditação Shinsokan de Reconciliação, onde o Mestre nos ensina que enquanto sentirmos ódio, mágoa ou rancor contra alguém, por mais que oremos e mentalizemos muitas vezes não temos a oração atendida. Isto acontece porque quando não perdoamos ao outro e a nós mesmos não sintonizamos com o Amor de Deus.
   Gostaria de convidar-lhes a praticar diariamente a Meditação Shinsokan e se por ventura sentir que tenham alguma magoa contra alguém ou que ainda não tenha conseguido perdoar a si mesmo que iniciem ainda hoje a prática da Meditação Shinsokan de Reconciliação.

Muito obrigado!

O Jovem e a Religião – parte 3

   Quando escrevi o primeiro artigo “O jovem e a religião” não imaginava que se abriria aí uma oportunidade singular de reflexão acerca desta instituição tão importante e indispensável para o desenvolvimento correto de uma sociedade: a Família.No mês passado discorremos um pouco sobre qual o papel dos pais na educação e formação dos filhos neste século XXI. Sabemos que os desafios vão muito além das questões ali levantadas, mas não há duvida alguma que aqueles pontos também são fundamentais.
    Bem, de acordo com o combinado neste mês estudaremos um pouco sobre o tema: Perdão que constrói. Amor que une. Será que alguma vez na vida, você amigo leitor, amiga leitora já não passou por alguma situação em que tendo sido ferido(a) diretamente na alma, sentiu o seu mundo se desmoronar e uma dor terrível – impossível de ser expressada em palavras – fez você achar que nunca, que jamais seria capaz de perdoar tal pessoa? Ou que não tenha sentido na pele que às vezes a vida nos parece injusta demais, onde alguns poucos têm muito e muitos têm pouco?
   A maioria de nós já viveu esta experiência pelo menos uma vez na vida. Por que será que é tão difícil perdoar? Porque a pessoa em questão não é qualquer uma, trata-se de alguém muito importante para nós, pois só nos magoamos ou odiamos, quando nos decepcionamos profundamente com este alguém. O prof. Kamino Kussumoto nos fala em seu livro Buscando o Amor dos Pais, que ninguém odeia a mulher do vizinho que o trai, mas se sua própria mulher te trai você acaba odiando-a. Isso ocorre porque você a ama e ela é muito importante na sua vida.
   No mesmo livro aprendemos também que o ódio é o lado oposto da mesma moeda, onde de um lado se tem o amor e do outro o ódio. Quanto maior o ódio, maior é o amor que sentimos por esta pessoa.
   Algo parecido ocorre também nas demais relações humanas, como pais e filhos, cônjuges, entre irmãos, amigos, etc. Quando amamos alguém há certa tendência em esperarmos muito desta pessoa, muitas vezes sem que percebamos, acabamos exigindo dela uma perfeição idealizada. Por isso, quando esta comete alguma falha nos decepcionamos, nos sentimos “traídos” como vítimas de uma tremenda injustiça.
   Outro aspecto a ser considerado é o fato que para se perdoar alguém, necessariamente teremos que “abrir” mão de nosso “direito” e de nossa “razão”. Quando analisamos “certos” acontecimentos na vida, de fato há situações em que a pessoa realmente tem razão e até mesmo o direito de guardar profunda mágoa, inclusive ódio. Mas naturalmente, se analisamos nossa vida apenas no aspecto físico, onde é possível precisar a data de nosso nascimento aqui na Terra.
   Porém, a vida verdadeira, a vida que existe de fato, não é esta física. A vida verdadeira existia antes de nascermos e continuará existindo mesmo depois que nós morrermos. Para se perdoar é preciso subir mais um degrau e olhar para esta vida com uma visão mais ampla possível. Aí enxergaremos a Vida, a vida enquanto espírito imortal. Quando assim agimos, compreendemos que não nascemos apenas uma vez e que tudo no universo é regido pela lei de causa e efeito. Em outras palavras, a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.
   Quando analisamos de forma mais profunda, quando reflexionamos, quando meditamos acabamos concluindo inevitavelmente que não existe injustiça na extensão infinita da vida. Que o que estamos passando neste momento é na realidade reação das nossas próprias ações em um passado, às vezes, remoto. É por isso, que na oração para perdoar da Seicho-No-Ie oramos assim: “Eu o (a) perdoei e você me perdoou; eu e você somos um só perante Deus. Eu o (a) amo e você me ama também; eu e você somos um só perante Deus. Eu lhe agradeço e você me agradece; Obrigado... Obrigado... Obrigado...”
   Ainda na mesma oração encontramos: “Já perdoei a todas as pessoas e acolho a todas elas com o Amor de Deus. Da mesma forma, Deus me perdoa os erros e me acolhe com Seu imenso amor”. Não lembramos, com raras exceções, o que aconteceu em outra existência, mas podemos concluir intuitivamente e até racionalmente que nada neste mundo ocorre como obras do acaso.
   Assim, começamos a entender gradativamente que tudo nesta vida exprime sempre a misericórdia infinita de Deus. Que não há ninguém que se perca eternamente na escuridão. Que tudo o que fazemos é computado na nossa consciência, esse extraordinário agente de registro. Ela (a consciência), em toda a sua amplitude, ainda se manifesta sem que sejamos capazes de compreendê-la por inteiro e também que tudo aquilo que pensamos, falamos e fazemos fica registrado na mente cósmica e nas profundezas de nosso subconsciente e um dia deverá vir à tona. Por isso, é muito sério o que pensamos, falamos e fazemos. Mas, o mais importante é sentirmos que Deus não esquece ninguém, na Sua bondade sobremaneira infinita.
   Em certa ocasião ouvi uma expressão que me emocionou muito: “O pecado é espada que quebra no escudo chamado perdão”. Lindo isso, vocês não acham?! Que profundo este pensamento. De fato, o perdão é uma dádiva divina que liberta o próximo, mas que também liberta a nós próprios. Aprendemos com o querido mestre Masaharu Taniguchi que é pecado é o encobrimento da Imagem Verdadeira e com Jesus Cristo que a Verdade nos tornará livre. Portanto, perdoar significa nos libertar de tudo aquilo que é indesejável, de toda dor, do sofrimento, da angústia, da solidão, do medo, da pobreza, da doença, etc.
   E como sabemos se já perdoamos alguém?  Quando nos lembramos desta pessoa e não mais sentimos dor ou desprezo, mas uma sensação de alegria e gratidão, pois finalmente compreendemos que no mundo da Imagem Verdadeira não existe aquele que fere, ofende ou trai, nem existe quem seja ferido, ofendido ou traído. E que esta vida atual é uma representação daquilo que viemos plantando a cada nova oportunidade que temos de aqui nascermos, seja no bem ou no mal, utilizando nosso livre arbítrio.
   No final das contas, haveremos de concluir que aquela pessoa que nos parecia um malfeitor era na verdade “Cristo disfarçado”, umas das inúmeras manifestações de Kanzeon Bosatsu, a divindade da misericórdia na tradição budista, cuja finalidade era nos levar ao despertar espiritual e fazer manifestar em nossa através do perdão o Amor em sua manifestação mais sublime.
   Ah! Não poderia concluir este nosso estudo, esta nossa reflexão deste mês sem afirmar que qualquer um pode alcançar este estado espiritual, pois se até eu o alcancei e procuro vive-lo a cada dia, aprendendo com as novas experiências cotidianas, imagina você Amigo Leitor? Então, pare de se lamentar e de se ver como pobre vitima e tome a iniciativa de se tornar neste instante o protagonista da sua própria vida, transformando-a através do perdão, pois o Perdão constrói e o amor une.
Muito obrigado!